“É em vão que tu me atacas. Eu estou entre Jesus e Maria. Deo gratias et Mariæ. Cheguei ao fim da minha carreira: pronto, não pecarei mais!”.[1]

Estas foram as derradeiras palavras proferidas por São Luís Maria Grignion de Montfort em seu leito de morte. Palavras de um herói, de um apóstolo, de um santo! Palavras que denotam a imensa humildade e confiança em Deus deste varão extraordinário. No entanto, se desta maneira sublime entregou ele sua alma a Deus – afirma o provérbio latino “tal como é a vida, tal será o fim” – sua existência não foi diferente.

Tão heroica foi sua vida que mereceu o seguinte elogio: São Luís foi um “padre que vivera com a pureza dum Anjo, trabalhara com o zelo dum Apóstolo e sofrera com o rigor dum penitente”.[2] Anjo, apóstolo e penitente, são estas qualidades imprescindíveis em todo santo, mas que em São Luís brilham de modo peculiar.

No entanto, estes são apenas aspectos que se sustentam em um eixo central: a devoção a Nossa Senhora.

São Luís é anunciador e apóstolo da escravidão de amor à Mãe de Deus, como se pode compreender ao ler sua obra magna, O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Neste livro sente através de suas palavras, seu coração abrasado de amor e entusiasmo pela Virgem Santíssima a qual é o caminho seguro que de chegarmos a Jesus.

Ainda no Tratado, São Luís viu de forma profética a vinda de novos missionários que, também incendiados de amor a Nossa Senhora, fossem por todos os rincões da Terra a fim de anunciar e proclamar as grandezas de Maria como ele próprio afirmou: “Deus quer que sua Santíssima Mãe seja agora mais conhecida, mais amada, mais honrada, como jamais o foi”.[3] A estes missionários São Luís denominou “apóstolos dos últimos tempos”, seriam eles “sacerdotes livres de vossa liberdade, desapegados de tudo, sem pai, sem mãe, sem irmãos, sem irmãs, sem parentes segundo a carne, sem amigos segundo o mundo, sem bens, sem obstáculos, sem cuidados, e até mesmo sem vontade própria”.[4]

Destes “apóstolos dos últimos tempos” São Luís foi o precursor que profetizou  o Reino de Maria o qual, em germe, já habitava em sua alma.

[1] 1 LE CROM, Louis. São Luís Maria Grignion de Montfort. Porto: Civilização, 2010, p.411.

[2] LE CROM, op. cit., p.405.

[3] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT, Traité de la vraie dévotion à la Sainte Vierge, op. cit, n.55, p.520.

[4] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Prière Embrasée, n.7. In: Œuvres Complètes. Paris: Du Seuil, 1966, p.678.